Por que uma “semana de 4 dias” pode ser melhor para sua empresa?

Empresa neozelandesa resolveu dar um dia a mais de folga para os funcionários e viu sua produtividade aumentar

Tempo estimado de leitura: entre 3 min 30 s e 4 minutos

Texto por Diego Taketsugu*

Quem nunca disse, mesmo que em tom de brincadeira, algo do tipo “ah, como eu queria que o fim de semana tivesse um dia a mais” ou “trabalhar 5 dias e descansar 2 é injusto”. Pois saiba que, se você já se pegou pensando nisso, não está sozinho e, provavelmente, não está errado também.

Entre março e abril de 2018, a Perpetual Guardian, empresa da Nova Zelândia especializada em planejamento sucessório, resolveu fazer um experimento. A companhia resolveu reduzir a jornada de trabalho – sem mexer nos salários ou na quantidade de trabalho a ser produzido – dando 3 dias de folga para seus funcionários durante a semana e exigindo que eles fossem trabalhar durante apenas 4. A ideia por trás desse experimento era dar mais tempo para que os colaboradores conseguissem balancear suas vidas pessoais e profissionais. Essa mudança foi acompanhada por pesquisadores que foram coletando dados sobre seus impactos na empresa.

O resultado surpreendente

Dois meses depois de iniciada a nova rotina, os trabalhadores se sentiam mais engajados, motivados e o estresse geral do escritório tinha reduzido em até 7%, segundo dados publicados no NZ Herald. Além disso, 25% dos funcionários relataram que conseguiram melhorar o equilíbrio entre suas vidas pessoais e profissionais.

A relação entre líderes e liderados também melhorou, bem como a sensação geral de empoderamento por parte dos colaboradores.

A redução não interferiu nos resultados financeiros da empresa, que agora já estuda a possibilidade de implementá-la de maneira permanente, apesar de encontrar algumas complicações para isso nas leis trabalhistas neozelandesas.

Cuidado ao implementar

Apesar do retumbante sucesso que a Perpetual Guardian obteve com a redução da jornada de trabalho, é importante salientar que ela poderia ter sido ineficaz e até mesmo prejudicial caso os funcionários não se adaptassem a essa nova realidade, como explicou a pesquisadora Helen Delaney, da Escola de Negócios da Universidade de Auckland que acompanhou a experiência. Segundo ela, os trabalhadores tiveram que inovar na maneira de produzir, sendo mais ágeis, informatizando processos que eram manuais e aumentando a produtividade em geral. Isso significa, entre outras coisas, menos tempo para checar as redes sociais ou ficar conversando com outros funcionários na hora do cafezinho. Assim, eles conseguiram produzir o mesmo tanto em menos horas.

Por isso, é importante que os colaboradores de uma empresa entendam que a redução da jornada é uma troca: eles ganham um dia a mais de folga e a empresa ganha mais compromisso e produtividade nos 4 dias de trabalho.

Nova tendência?

Apesar de ter ganho muitos holofotes e admiração pela iniciativa, a Perpetual Guardian não é a única empresa pensando em reduzir as jornadas de trabalho. A consultoria britânica Vouchercloud realizou uma pesquisa com cerca de 2 mil funcionários que trabalham em diferentes setores de diversas empresas e notou que, em média, eles passam apenas 2 horas e 53 minutos do dia trabalhando realmente. O resto do tempo que eles passam nas empresas é gasto enquanto eles checam suas redes sociais, conversam com os colegas ou fazem uma pausa para lanchar.

Assim, se as empresas conseguirem fazer com que os colaboradores passem mais horas realmente produzindo, as “semanas de 4 dias” podem virar realidade em muitas organizações.

*Estagiário Gente Mais sob supervisão da jornalista Thayná Fogaça

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