Comunicação Não-Violenta

Texto por Marivel Duncan – Colunista Gente Mais especialista em Resolução de Conflitos

Atualmente vivemos em um mundo cheio de mal-entendidos, preconceitos e violência que geram conflitos entre casais, pais e filhos, empregados e empregadores, vizinhos, políticos e governantes.

Provavelmente você conhece pessoas que já foram humilhadas em razão de discriminação e preconceito racial. Talvez você esteja vivenciando um conflito de relacionamento com palavras agressivas.

Isto acontece porque possuímos necessidades que precisam ser reconhecidas para uma comunicação eficaz. Padrões de pensamentos que conduzem a discussões, raiva e depressão também devem ser transformados.

O segredo é cessar os julgamentos e dizer o que nos agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo.

Assim, para alcançar a comunicação não-violenta é preciso seguir quatro componentes, segundo Marshall B. Rosenberg, psicólogo social e criador deste método:

  1. Observar o que de fato está acontecendo
  2. Identificar como sentimos
  3. Reconhecer as necessidades ligadas ao sentimento
  4. Fazer um pedido específico

A proposta da comunicação não-violenta é não generalizar, não avaliar. Assim, o primeiro componente – observar sem avaliar – propõe separar observação da avaliação. Caso a observação seja combinada com avaliação, fica parecendo crítica e as pessoas resistirão ao que se fala.

Exemplo de observação com avaliação: Minha equipe só faz o que é solicitado.

Exemplo de observação isenta de avaliação: Ontem João encontrou 5 (cinco) locais para eventos de 30 (trinta) pessoas, conforme eu havia solicitado.

No primeiro exemplo há generalização. No segundo exemplo foi bem específico onde o líder apenas narrou o que aconteceu.

Raramente conseguimos identificar sentimentos, principalmente no ambiente de trabalho. A vulnerabilidade para expressar nossos sentimentos é o que nos permite resolvermos conflitos interpessoais. É muito comum as pessoas possuírem dificuldades de identificar e expressar os sentimentos. Em nossa criação fomos estimulados a pensar, seja no ambiente escolar, familiar, no trabalho e até com amigos. Mas nas relações entre pessoas não saber expressar o que sente pode ser destruidor.

O primeiro passo é ter consciência dos sentimentos. O autoconhecimento proporciona esta consciência. Assim, a conscientização identifica e o ato de expressar torna-se natural. Percebem que é um treino? Mas existem pessoas que não se deixam ser vulneráveis, elas têm medo de serem sentimentais, de serem rotuladas como místicas, pouco inteligentes, fora de contexto, enfim, de serem vulneráveis. A maioria das pessoas não gostam de se encontrar em uma situação de risco e a fragilidade incomoda as pessoas, principalmente os homens. Imagina ao invés de ser o dia de argumentar uma apresentação de um projeto, fosse o dia da roda de conversa para cada um expor o que sente?

A princípio pode soar diferente, mas as empresas que estão investindo tempo para humanizar seu maior ativo (pessoas) estão encontrando resultados significativos.

O terceiro componente da comunicação não-violenta é o reconhecimento das necessidades que estão dando suporte aos sentimentos.

Seguindo a mesma linha de exposição do componente anterior, quando as pessoas conseguem expor sobre o que elas precisam, em vez de falarem do que está errado com outras pessoas, abre possibilidades para solucionar questões, elas encontram maneiras de atender às necessidades de todos. Quando as necessidades são atendidas não há conflito, não há que se falar em acordo, pois necessidades humanas básicas atendidas, como aceitação, apreciação, riso, descanso, respeito, encorajamento, confiança, movimento e toque é o que levam as pessoas a experimentarem a liberdade emocional. É claro que pessoas que possuem liberdade emocional com suas necessidades sendo atendidas e sabendo demonstrar estas necessidades, estão vivenciando bons relacionamentos, operando bem na comunicação.

Depois de expressarmos o que estamos observando sem avaliação, sentindo e precisando, fazemos um pedido específico, pedimos que alguém pratique uma ação que satisfaça nossa necessidade. Por isso a linguagem precisa ser clara, positiva e concreta. E se quisermos ter a certeza de que a mensagem que enviamos foi recebida com a mesma intenção, podemos pedir que o receptor repita para nós.

Este quarto componente não pode parecer uma exigência. Pedidos parecem uma exigência quando deixamos transparecer para o ouvinte que ele será culpado ou punido caso não os atenda.

Além da linguagem clara, positiva e concreta deve o pedido estar acompanhado de nossa empatia.

A comunicação não-violenta é um manual prático para resolver conflitos de forma simples e eficaz. O método publicado no livro Comunicação não-violenta, técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais de Marshall, possui exercícios descritos de maneira clara, podendo ser aplicados à vida privada e ao trabalho, em escolas, empresas, prisões e hospitais. Você vai aprender a se colocar no lugar do outro com empatia, desenvolvendo habilidades de comunicação eficazes e criando relacionamentos interpessoais baseados em respeito mútuo, compaixão e cooperação. Fica a dica de leitura !  

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