Como unir a transformação digital e humanização


Fugir da transformação digital atualmente já não é mais uma opção, a tecnologia tem
influenciado todas as áreas da nossa vida, de forma positiva tem facilitado processos e inovado
possibilidades antes impossíveis, de forma negativa tem minimizado relações interpessoais
humanas e reduzido a humanização à interação digital.
As oportunidades geradas pelo digital estão tão perto, mas ao mesmo tempo longe, visto que
o poder de manusear a tecnologia está em nossas mãos, mas muitas vezes nós é quem somos
manuseados por ela.
Encontrar o equilíbrio entre o humano e o tecnológico atualmente parece uma possibilidade
inviável, mas necessária, como é citado por Maria Celeste de Sousa:

Então, o que pensar diante da interface homem e máquina na
sociedade contemporânea? O prognóstico delineado por filósofos,
sociólogos, psicólogos ou antropólogos é que em um futuro próximo
a comunicação será mais com as máquinas do que com os
sujeitos .Este fato é reverenciado pelo filósofo francês Pierre Lévy
que ver positivamente a “complementariedade, da ação
conjugada e dinâmica dos dois fatores (analógico e digital) com
vista à melhoria e aperfeiçoamento das atuações humanas.”
(LÉVY, 1997, p. 263). Pierre Lévy qualifica a era digital como “um
novo patamar de hominização” exprimindo um novo
desenvolvimento humanista. (SOUZA, 2020, p. 137-138)

Visto isso, é de extrema necessidade buscarmos formas de unir a transformação digital e a
humanização, para que não percamos as possibilidades da tecnologia e as necessidades do
humano.
Para que possamos usufruir de forma saudável da união entre o tecnológico e a essencialidade
do ser humano elencamos alguns tópicos


Não perca sua essência enquanto pessoa
Quando navegamos nas ferramentas do digital e temos constante acesso com as máquinas
esquecemos que elas foram feitas para nos auxiliar, e não ao contrário. Vivemos grande parte
dos nossos dias imergidos na tecnologia, mas é indispensável para a humanização que não nos
esquecemos porque estamos e quem somos atrás de uma máquina e que nossa essência
individual não pode ser projetada em dados tecnológicos.

O desenvolvimento da “consciência crítica” é imprescindível diante
do individualismo, da competitividade, da incompreensão, da
indiferença, da hiper fragmentação e da perda do sentido da vida.
Este montante expressivo da era digital gera a despersonalização
ilusória da euforia em estar conectado. (SOUZA, 2020, p. 147)

Utilize das ferramentas não só para facilitar processos, gere interação pessoal.
A tecnologia tem nos servido expressivamente em nossas necessidades diárias, pessoais e
profissionais, mas ela também deve ser utilizada como facilitadora de contato social. A
Globalização tem unido pessoas do mundo inteiro, de forma que também deve possibilitar a
facilidade de interação entre pessoas até do mesmo ambiente.

No entanto, isso não deve se tornar a única forma de interação, como seres humanos, nossa
essencialidade necessita para além do digital.

Não perca o limite e o ponto perfeito entre as demandas do digital e do humano
Atualmente seria impossível instituir como possibilidade a eliminação do digital sem que nos
direcionemos ao mais distante dos nossos objetivos, bem como também seria imprescindível
as relações humanas para que alcancemos o máximo na essencialidade humana do maior
desenvolvimento pessoal. Dessa forma, precisamos constantemente elencar o que é cabível ao
tecnológico e o que é ao humano, e sempre se lembrar de que o digital é manuseado por
pessoas com necessidades, e que devem ser cuidadas, ouvidas e tratadas como seres
humanos, e não como números num banco de dados ou numa formula de programação.

Fique atento aos detalhes das pessoas ao seu redor e das possibilidades que a transformação
digital te oferece para alcançar o melhor que você almeja, sem perder o melhor de quem você
é
!

SOUZA, Maria Celeste. O Homem na Era Digital. Revista Dialectus, Ano 9, n°19,
p.135-148, agosto-dezembro, 2020.

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